O Sol de Mayo perdeu sua vaga no Federal A depois de um desempate cuja tensão chegou até os pênaltis. A equipe de Viedma empatou por 1 a 1 com o Círculo Deportivo após 120 minutos no El Fortín do Villa Mitre, em Bahía Blanca, mas caiu por 2 a 0 nas cobranças. O resultado encerrou oito temporadas consecutivas na divisão e enviou o clube ao Torneo Argentino del Interior de 2027.
O jogo único em campo neutro condensava toda uma campanha em uma tarde. O Círculo chegou sob o comando de Duilio Botella, enquanto Diego Galván dirigia o Sol de Mayo. Não havia rodada seguinte para corrigir erros: o vencedor preservaria seu lugar e o perdedor se juntaria aos rebaixados já definidos. Esse peso apareceu desde o começo, com intensidade, cautela e cada bola tratada como se fosse decisiva.
O Papero marcou cedo. Vicente Barberini abriu o placar aos sete minutos e deu ao Círculo uma vantagem que obrigou a equipe de Río Negro a perseguir a permanência. O Sol de Mayo precisou de paciência para não perder sua organização e continuou no jogo mesmo quando o relógio ampliava a pressão. O empate chegou aos 70 minutos, por Héctor Morales, restaurando o equilíbrio e prolongando a incerteza.
O 1 a 1 não mudou no restante do tempo regulamentar nem nos trinta minutos extras. O desgaste físico deixou a partida cada vez mais fechada, e a possibilidade de uma jogada isolada acompanhou cada ataque, mas ninguém rompeu a igualdade. Depois de duas horas, a permanência ficou reduzida a uma disputa de pênaltis, cenário em que a execução técnica vale tanto quanto a capacidade de suportar a pressão.
Pedro Fernández tornou-se então o personagem absoluto. O goleiro do Círculo defendeu as quatro cobranças do Sol de Mayo, executadas por Valdebenito, Santiago Pérez, Fabio Giménez e Diego Dietz. Do outro lado, Barberini desperdiçou, mas Jano Martínez e Francisco Grahl marcaram. Dois acertos próprios e quatro intervenções do arqueiro bastaram para o clube de Nicanor Otamendi fechar a série em 2 a 0.
A salvação coroou uma reação extrema do Círculo, que precisava vencer seus três últimos compromissos para permanecer e completou a sequência entre os dois jogos finais da Reválida e o desempate. Assim, disputará a oitava temporada seguida no Federal A. Para o Sol de Mayo, a série deixou um fim doloroso e juntou seu nome aos de Tucumán Central, Sarmiento de Resistencia e Santamarina.
O impacto agora obriga a instituição de Viedma a reconstruir seu projeto em outra competição. Oito anos de continuidade não desaparecem, mas também não eliminam o custo esportivo e organizacional do rebaixamento. A imagem final será a de Fernández defendendo quatro pênaltis, embora o processo supere essa cena. O Sol de Mayo deve revisar a temporada que o levou ao limite e preparar sua tentativa de retorno em 2027.